NOTA SOBRE A BARRAGEM DO QUATI (BA) O OBSERVATÓRIO DA GOVERNANÇA DAS ÁGUAS (OGA Brasil) que é constituído por uma rede de 47 instituições da Sociedade Civil, Poder Público e do Setor Privado e Pesquisadores, vem através desta nota manifestar solidariedade às famílias dos atingidos pelo rompimento da Barragem no rio do Peixe, no povoado de Quati, em Pedro Alexandre e ao povoado do município de Coronel João Sá, no estado da Bahia.. As informações até o momento não registraram desaparecidos, nem feridos, porém cerca de 100 famílias ribeirinhas da cidade de Coronel João Sá ficaram desalojadas depois que o município foi invadido pelas águas da barragem que fica no distrito de Quati. Os rompimentos das outras barragens da Samarco em Mariana no ano de 2015 e da Vale em Brumadinho em 2019, já alertava sobre este grave risco que as populações e os rios correm quando os Sistemas de Gerenciamento dos Recursos Hídricos e de Segurança das Barragens ainda não conseguem implementar e mitigar mecanismos efetivos de segurança para a operação adequada dessas estruturas. Essa situação enseja a necessidade urgente de alertar todos os entes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos de que é fundamental que os Planos das Bacias Hidrográficas incorporem os instrumentos de Segurança de Barragens e, mais do que isso, implementem os instrumentos adequados. Assim como, um mecanismo mais efetivo de controle por parte dos órgãos responsáveis. Os impactos decorrentes de extremos climáticos como o observado em Coronel João Sá o, reforçam ainda mais a importância de tais aprimoramentos e de um debate sério sobre o funcionamento de barragens no Brasil O OGA Brasil aproveita ainda para alertar que a importância de integração entre os instrumentos de licenciamento ambiental e outorga pelo uso da água, especialmente para evitar situações e desastres como esse que acaba de acontecer em Quati na Bahia. Existem outras dezenas de barragens no Brasil, classificadas pela Agência Nacional de Águas, como de alto risco e alto impacto o que reforça a urgência na integração de instrumentos de gestão a fim de evitar outros danos socioambientais e econômicos no país. Mais uma vez nos solidarizamos com as famílias e conclamamos que o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos aprimore e incorpore o monitoramento e avaliação das políticas relacionadas às águas. Assim como, torne essa comunicação de mais fácil acesso e compreensão para toda a sociedade. JULHO DE 2019. Observatório da Governança das Águas.
Fundaj monitora com imagens de satélite francês o avanço do derramamento de rejeitos em Brumadinho em direção à Bacia do Rio São Francisco.
A FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO (Fundaj), por meio do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados para a Pesquisa Social (CIEG), está monitorando o avanço do derramamento de rejeitos ocorrido no dia 25 de janeiro de 2019 no município de Brumadinho (MG), tendo em vista seu deslocamento em direção à Bacia Hidrográfico do Rio São Francisco (BHSF). O Cieg tem pesquisas em andamento no bioma Caatinga com o Centre d’Etudes Spaciales de la Biosphère (Cesbio) da Universidade de Toulouse, na França, e está utilizando imagens do satélite francês Sentinel 2 neste monitoramento. As imagens são gratuitas e têm alta qualidade técnica, sendo possível identificar objetos com até 5m, além de disponibilizar registros da área atingida a cada cinco dias. Nestas pesquisas, o Cieg tem, também, parcerias com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal de Campina Grande (UFPB) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Anexo duas notas técnicas e mapas da região demonstrando o acompanhamento da FUNDAJ.
ENTREVISTA COM GILBERTO VALENTE CANALI – 50 ANOS DE EXPERIÊNCIA EM GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS
A Política Nacional de Recursos Hídricos faz quase 22 anos, temos um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos assentados em um modelo complexo e ousado que requer uma grande articulação de atores, instituições e de políticas públicas diversas e que já conta com 244 Comitês de Bacias, os Conselhos Nacional e Estaduais de Recursos Hídricos, Secretarias e diversos órgãos gestores federal e estadual. Desde sua promulgação a gestão das águas vem em uma evolução positiva do ponto de vista do que preconiza a lei que é a gestão descentralizada e participativa, abrindo possibilidades para o diálogo entre poder público, sociedade civil e o setor privado e desta forma resolver os desafios das águas no Brasil. Ao mesmo tempo ainda são identificadas lacunas na sua implementação e a baixa visibilidade que vêm permeando os debates sobre o tema, o que vem estimulando diversos estudos e projetos que neste momento avaliam a gestão de recursos hídricos no Brasil. Neste momento que podemos dizer como especial para estes quase 22 anos da 9443, entrevistamos o Engenheiro e advogado Gilberto Canali, atuante por mais de 50 anos na área de engenharia hidráulica, planejamento e gestão de recursos hídricos. Quem é Gilberto Valente Canali? Engenheiro e advogado, atuante por mais de 50 anos nas áreas de engenharia hidráulica, planejamento e gestão de recursos hídricos, meio ambiente e saneamento. Trabalhou na empresa de consultoria Morrison Knudsen-Internacional de Engenharia, na ELETROSUL e na Itaipu Binacional. Foi professor no IPH-UFRGS e na UFSC, presidente da ABRHidro, membro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, vice-presidente do Comitê Brasileiro de Barragens e membro do Comitê de Rios Internacionais Compartilhados da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD). Atualmente é membro do Conselho de Regulação da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS), em Santa Catarina, e consultor no Brasil e no exterior nas áreas de sua especialidade. 1) Qual é o paralelo que você faz da Constituição de 88 com a criação da Política Nacional de Recursos Hídricos? GVC – A Política Nacional e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos são decorrentes da Constituição Federal de 1988, a qual estabeleceu entre as competências da União a de instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso (Art. 21, XIX). Sob tal comando, em 1991 o Poder Executivo Federal tomou a iniciativa de enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Nº 2.249, o qual sofreu alterações significativas até a promulgação da Lei Nº 9.433, em 8 de janeiro de 1997. 2) Como foi o processo de construção da Lei 9433? Qual foi o seu papel nesta construção? Quais as etapas? Como foram as articulações? Quais foram os pontos de resistência?? Como chegaram a vitória de conquistar a lei? GVC – A necessidade de construção de uma política nacional de recursos hídricos teve origem nos anos setenta e oitenta, impulsionada por dois fatores de relevantes transformações no desenvolvimento nacional: primeiro, o extraordinário desenvolvimento do setor elétrico, através do aproveitamento do potencial de energia hidráulica, reconhecidamente abundante no território nacional, sob a égide do Código de Águas, vigente desde 1934. Em segundo lugar, não menos importante, a promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente em 1981. De fato, o interesse estratégico em aproveitar o potencial hidrelétrico de grandes rios brasileiros, ao mesmo tempo em que o desenvolvimento do país passava a por em evidencia a degradação dos recursos naturais, suscitou as primeiras preocupações com os impactos ambientais associados e visão de que tal desenvolvimento deveria se dar sem prejudicar ou obstaculizar, no que diz respeito aos recursos hídricos, a sua conservação e o seu aproveitamento para fins múltiplos. A noção do aproveitamento racional e integrado dos recursos hídricos para fins múltiplos passa a surgir e a permear pelas discussões a respeito das demandas de desenvolvimento e bem estar social, especialmente quanto à universalização do abastecimento de água potável, saneamento, produção de energia elétrica e de alimentos, assim como, de modo crescente, quanto ao controle da poluição e seus reflexos sobre a saúde humana. A criação da Associação Brasileira de Recursos Hídricos–ABRH (hoje, ABRHidro), em 1977, é um marco a destacar, eis que propiciou a disseminação do conhecimento das ciências da água produzido no país e no exterior, em paralelo com a capacitação profissional promovido por inúmeras instituições que hoje constituem uma rede com abrangência nacional. Muitos eventos sobre a gestão de recursos hídricos e do meio ambiente podem ser registrados a partir dessa época, mormente porque, ao que se dizia, o setor elétrico se sobrepunha, ao ponto de se tronar praticamente hegemônico, sobre os demais setores que demandavam pelo uso daqueles recursos. É dessa época o início das discussões a respeito da criação de comitês de bacia espelhados na experiência de outros países, que no entanto só se concretizou por aqui em poucos casos como o do Comitê Sinos, seguida pelo Comitê do Gravataí, em 1988. A mobilização pela concepção de uma política de recursos hídricos teve a condução de personalidades importantes como Bendito Barbosa, Flavio Terra Barth, Cid Tomanik Pompeu, Fabio Feldman, Aroldo Cedraz, José Machado, assim como presidentes e membros da ABRH, tendo a Associação servido como caixa de ressonância dos debates que aconteciam em âmbito nacional, especialmente através de simpósios, e também da Lista ABRH-Gestão, criada por Flavio Barth, que se veio a se tornar palco virtual de intensa participação e contribuição de muitos atores interessados na questão, muitas das quais consolidadas nas Cartas e Anais da ABRH. A tramitação do Projeto de Lei no Congresso sofreu muitas modificações, a começar pela apresentação de um substitutivo pelo Relator, Deputado Fabio Feldman, por exemplo, prevendo a gestão descentralizada e com a participação do Poder Público, usuários e comunidades, não prevista no PL do Poder Executivo. O substitutivo representou um grande avanço em relação ao PL do Poder Executivo, entretanto não chegou a ser apresentado ao plenário da Câmara dos Deputados. Finda a legislatura e não tendo sido reeleito o deputado relator, a matéria foi retomada na legislatura seguinte,
O Comitê da Bacia do rio São Francisco: Desafios de Governança em Hidroterritórios
Trabalho de Eduardo Gabriel Alves Palma no âmbito do estudo sobre GOVERNANÇA TERRITORIAL NO BRASIL: Lógicas Espaciais, Especificidades Institucionais e Políticas de Desenvolvimento. Resumo – Em atendimento aos objetivos do projeto Governança Territorial no Brasil: lógicas espaciais, especificidades institucionais e políticas de desenvolvimento, trazemos a discussão da governança territorial em bacias hidrográficas. O primeiro item é quanto a instituição do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH) pela Lei Federal 9433 de 1997, que abriu caminho para as novas bases da gestão participativa no Brasil. Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs) se tornaram as mais importantes instâncias democráticas de gestão da água no país, congregando representantes de diversos setores da sociedade. Seu funcionamento envolve um processo decisório específico, centrado na aprovação dos planos de gestão plurianuais das bacias e na definição e aprovação dos valores da cobrança pelo uso da água. A estruturação e o papel dos CBH´s no Território visa dialogar com o objetivo F da pesquisa: Analisar as formas de inserção das governanças setoriais e territoriais na governança nacional do respectivo setor. O arranjo institucional para compreender a atual fase de transição, marcada pela multiplicação contínua de CBHs no país, nos dá um pré-diagnóstico que o processo de operacionalização é lento e marcado por dificuldades. Nesse caso, esse item atende parte do objetivo G do projeto que é caracterizar o ambiente socioeconômico e cultural dos recortes espaciais das diferentes modalidades de governança identificadas com o objetivo de destacar os fatores propulsores e os desestimuladores a fim de contribuir para a compreensão das origens da governança; Entende-se que o Comitê de Bacia Hidrográfica inaugura no país uma modalidade de governança pouco praticada pela sociedade, que é a tomada das decisões de forma colegiada, incluindo arrecadação e aplicação de orçamento público, oriundo de recursos da cobrança das águas, refletindo a dinâmica sócio-territorial da bacia hidrográfica, assumindo um papel importante na emancipação social, a partir de suas ações como instância de Estado. Nesse item, a pesquisa colabora com o objetivo H na identificação das principais políticas de regulação dos respectivos territórios e no planejamento das ações de desenvolvimento territorial, a fim de averiguar e caracterizar a participação das modalidades de governança. Então, a proposição inicial é a de que os CBH´s formam instâncias de Estado nos chamados Hidroterritórios, constituídos a partir de instrumentos legais normativos, além de arranjo institucional próprio que norteia as ações dessa modalidade de governança, em estrutura colegiada, estimulada pela cobrança das águas e outros recursos públicos e privados gerados na bacia hidrográfica, entre eles royalties dos recursos hídricos impactados com instalação de hidroelétricas, o que aufere a esta unidade territorial, determinada autonomia jurídica, institucional e orçamentária, resultando em uma nova estrutura subnacional de poder. Palavras-Chave – Comitê de Bacia, Governança, Hidroterritório, São Francisco. Copie o artigo aqui>O COMITÊ DE BACIA DO SÃO FRANCISCO DESAFIOS DA GOVERNANÇA NO TERRITÓRIO (1)
Governança dos recursos hídricos e eventos climáticos extremos : a crise hídrica de São Paulo
Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico da Universidade Estadual de Campinas para obtenção do título de Doutor em Desenvolvimento Econômico, área de concentração Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente. Tese de BRUNO PEREGRINA PUGA – Defendida em 23/02/2018 RESUMO A gestão dos recursos hídricos envolve uma enorme coordenação entre diversos atores níveis institucionais. Os problemas que afetam a provisão e a qualidade dos recursos hídricos são difusos e envolvem distintos interesses e visões sobre a melhor forma de alocação do recurso. A política ambiental evoluiu de uma forma centralizadora, desempenhada principalmente pelos Estados, para a inclusão de diversas escalas institucionais e atores sociais, objetivando uma descentralização da gestão ao nível da bacia hidrográfica. A reforma hídrica brasileira completou duas décadas com avanços, mas também com problemas estruturais que impedem uma gestão mais efetiva. Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, colocam em cheque os sistemas de governança hídricos, testando seus limites e gargalos. Quando tais eventos resultam na ocorrência de crises hídricas, podem também revelar as falhas institucionais para lidar efetivamente com os novos desafios colocados pelas mudanças climáticas. O objetivo geral desta tese é compreender como os atores, instituições hídricas e sistemas de governança lidaram com uma crise hídrica alavancada por um evento climático extremo de seca na Região Metropolitana de São Paulo (RMS) entre 2013 e 2015. Ao utilizar uma abordagem institucional, esta tese foca em três aspectos principais da governança hídrica: a distribuição de poder, capacidade adaptativa e capacidade de mudança institucional através da aprendizagem política. Palavras-chave: governança dos recursos hídricos, eventos extremos, mudanças climáticas, gestão de recursos hídricos, análise institucional. Puga, Bruno Peregrina, 1986- Governança dos recursos hídricos e eventos climáticos extremos : a crise hídrica de São Paulo / Bruno Peregrina Puga. – Campinas, SP : [s.n.], 2018. Orientador: Ademar Ribeiro Romeiro. Coorientador: Roldan Petros Muradian Sarache. Tese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia. O original está na página: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/332313/1/Puga_BrunoPeregrina_D.pdf Acesse aqui a tese>>>Puga_BrunoPeregrina_D
GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NA BAHIA: UMA ANÁLISE DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS À LUZ DA DESCENTRALIZAÇÃO, DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL E DA COBRANÇA*
* Tese apresentada por LUCAS SANTOS CERQUEIRA ao Curso de Doutorado em Desenvolvimento Regional e Urbano da UNIFACS Universidade Salvador, Laureate International Universities, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor. Orientadora: Profª. Drª. Carolina de Andrade Spinola Co-orientadora: Profª. Drª. Élvia Mirian Cavalcanti Fadul. RESUMO: A água é um bem público e de interesse comum. É função de todos e, principalmente, dever do Estado zelar pela sua preservação, com a elaboração de políticas públicas capazes de garantir a sua disponibilidade de forma democrática e participativa. Com a promulgação da Lei 9.433/97, conhecida como a Lei das Águas, o Brasil adotou a governança como uma nova forma de gestão dos recursos hídricos. A governança das águas na Bahia é o eixo desta pesquisa e será analisada na perspectiva da descentralização, da participação social e da cobrança. Desde 2006, ano da criação do primeiro comitê de bacia no Estado, até o ano de 2015, ano final da análise deste estudo, a Bahia apresenta apenas a criação de 14 comitês de bacia de 26 RPGAS, a elaboração de 9 planos de bacia e não institucionalizou a cobrança em nenhum dos comitês. Trata-se de uma pesquisa descritiva-exploratória, pois o tema ainda é pouco explorado no Estado e se justifica pela necessidade de apontar qual a real situação da gestão das águas na Bahia. Em relação aos procedimentos metodológicos, além da pesquisa bibliográfica, utilizou-se da pesquisa documental, mediante a análise das atas das reuniões dos comitês de bacias do Estado e de entrevista semiestruturada junto aos responsáveis pela gestão das águas no INEMA. Ao se perguntar como se caracteriza a governança das águas no Estado da Bahia concluiu-se, com base neste estudo, que ficou claro que não há interesse político do Estado em promover a descentralização da gestão das águas, pois, da forma como está sendo gerenciado o processo, até com a própria ANA, o INEMA é o protagonista, os representantes da sociedade civil são meros coadjuvantes e os espaços de debates, que são os comitês de bacia, são apenas espaços figurativos e esvaziados de poder. ACESSE A TESE AQUI>>>>Tese Lucas Cerqueira Palavras-Chave: Recursos Hídricos. Governança. Descentralização. Participação Social. Cobrança.
O que cada candidato (a) propõe fazer a respeito do tema Água?*
O Observatório da Governança das Águas – OGA preparou o infográfico ÁGUA NAS ELEIÇÕES 2018, resumindo as propostas dos presidenciáveis para o fortalecimento da gestão descentralizada e participativa, proteção de mananciais e nascentes, segurança hídrica, saneamento e outros tópicos sobre a gestão das águas no Brasil. Especial para o OGA Brasil A partir de uma análise dos Programas Oficiais dos (a) candidatos (a) à Presidência da República em 2018 disponibilizados até o momento, fizemos uma leitura e identificamos as propostas sobre a gestão das águas. Encontramos referências sobre fortalecimento da gestão descentralizada e participativa, planos de investimentos em saneamento, proteção de nascentes e recuperação de mananciais, acesso universal e direito humano à água, dentre outras. Quando o tema é sobre ÁGUA, os programas dos candidatos à Presidência da República em 2018 são bem diferenciados. O OGA mapeou as propostas para o tema nos planos de governo de 9 candidatos à presidência e produziu o infográfico ÁGUA NAS ELEIÇÕES 2018 com o resumo das propostas. A gestão das águas é um dos principais desafios ambientais e é fundamental que seja incorporado na estratégia de desenvolvimento do país. A grande maioria dos centros urbanos no Brasil já está vivendo períodos de escassez hídrica provocando impactos sociais, econômicos e ambientais. As regiões metropolitanas concentram grande parte do contingente populacional e do PIB. Ampliar a segurança hídrica é uma ação estratégica, prioritária e urgente. Não apenas para os centros urbanos, mas para as demais regiões do país, para as economias produtivas, para as cidades sustentáveis, para a resiliência às mudanças climáticas. Mas sobretudo para um direito universal do acesso à água. O infográfico ÁGUAS NAS ELEIÇÕES 2018 resume as propostas relacionados ao tema Água nos programas de governo protocolados na Justiça Eleitoral por: Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (NOVO), Fernando Meirelles (MDB), Álvaro Dias (PV), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE), Guilherme Boulos (PSOL), Fernando Haddad (PT). *Esta foi uma contribuição do Comitê Gestor. O Comitê Gestor* do OGA-Brasil é composto pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Fundação Grupo Boticário, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Democracia e Sustentabilidade (SP), Instituto Portas Abertas (ES), Instituto Rios Brasil (AM), Instituto Trata Brasil, Nosso Vale Nossa Vida (RJ), The Nature Conservancy (TNC) e WWF-Brasil. O OGA Brasil é uma rede multissetorial que reúne 47 instituições do poder público, setor privado e organizações da sociedade civil e indivíduos, que reconhecem a necessidade de monitorar o desempenho dos Sistemas Nacional e Estaduais de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) e fortalecer a Governança das Águas no Brasil. Setembro 2018.
GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS NO ACRE E A IMPLANTAÇÃO DOS SEUS INSTRUMENTOS*
* Artigo de Ayri Saraiva Rando – Empresa P2A Assessoria Técnica Administrativa – Piracicaba – SP – Brasil e Adailton de Sousa GalvãoUniversidade Federal do Acre – Rio Branco – AC – Brasil Resumo: Este trabalho visa analisar a gestão dos recursos hídricos no Acre, comparando-a com a gestão paulista. Apresentaram-se aspectos da gestão acreana, por meio da análise comparativa pertinente à elaboração e à implantação dos instrumentos previstos nas políticas de recursos hídricos. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e o levantamento documental, com uso de indicadores propostos para avaliação e monitoramento da dimensão de governança chamada instrumentos de gestão do sistema, em busca do cumprimento da análise em questão e da definição do estágio em que se encontram os aspectos de governança em tal dimensão. Os resultados indicaram que o estágio da gestão é básico para a dimensão de governança avaliada. Palavras-chave: Recursos Hídricos. Governança. Instrumentos de Gestão.
A CONSTRUÇÃO DA GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO BAIXO PARAÍBA DO SUL E ITABAPOANA
VANDA CORRÊA THOMÉ – Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF, como parte das exigências para a obtenção do título de Doutor em Sociologia Política.Orientadora Professora D.Sc. Maria Eugênia Ferreira Totti – Campos dos Goytacazes – Março de 2018 RESUMOEsta pesquisa ao debruçar sobre a análise do processo participativo e decisório no Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana – CBH BPSI, durante o recorte temporal 2011-2017, teve por objetivo refletir sobre a efetividade deste organismo de bacia em promover a governança dos recursos hídricos na Região Hidrográfica IX do Estado do Rio de Janeiro – RH IX do ERJ. Com caráter qualitativo e aplicado a um estudo de caso utilizou como procedimento metodológico uma adaptação do modelo analítico proposto por Cunha (2009). A análise documental e a observação não participante consistiram na técnica primordial para a coleta de dados e, como técnica complementar, o emprego de questionário e entrevista. A teoria democrática deliberativa foi adotada como fundamento teórico por: i) sua aplicação validada em estudos sobre instituições participativas, ii) assimilar o modo como os cidadãos fundamentam racionalmente as regras do jogo democrático e iii) possibilitar a definição de variáveis passíveis de testes empíricos. Buscou-se avaliar a efetividade do colegiado, no sentido deste influenciar, alterar formato ou conteúdo da política pública a que se vincula e contribuir para o debate e articulação em prol da governança dos recursos hídricos na sua área de influência. Os dados possibilitaram avaliar que o CBH BPSI, ainda que apresente limitações associadas ao seu arranjo institucional, ao desenho do sistema e ao contexto em que opera, tem se mostrado uma instituição que tende a ser efetiva na governança das águas na RH IX do ERJ. Palavras-chave: Governança dos Recursos Hídricos; Processo Participativo; Deliberação Democrática; Efetividade do Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana.
Carta da Água – Por uma Agenda Estratégica de Desenvolvimento do Brasil*
À Nação Brasileira, aos candidatos à Presidência da República, ao Parlamento Federal e aos Governos e Parlamentos Estaduais nas Eleições de 2018 A água, bem de uso público, essencial à vida, é o recurso natural que melhor espelha os impactos do clima em um país de dimensões continentais como o Brasil. Por outro lado, o mito da abundância da água, desde a crise hídrica de 2014, vem sendo substituído pela realidade da escassez, agravada pela falta de saneamento básico, poluição, pela necessidade de uma ação mais efetiva especialmente por parte do poder público para promover segurança hídrica. Um estudo do Banco Mundial apontou que algumas regiões poderão sofrer um declínio de até 6% do PIB nas suas taxas de crescimento até 2050, devido a perdas resultantes da redução dos recursos hídricos, tanto na agricultura quanto na saúde, na renda e nas propriedades, o que levaria a um crescimento negativo permanente. Além disso, metas ambiciosas para melhorar os meios de subsistência, como as estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), só poderão ser alcançadas em um mundo no qual haja mais segurança hídrica. O ODS 6 é relativo à Água Limpa e Saneamento, mas a segurança da água é fundamental para alcançar qualquer tipo de desenvolvimento econômico e humano sustentável. A Lei das Águas do Brasil, instituída com a Lei 9.433 de janeiro de 1997 e que completa 21 anos, é uma resposta poderosa para enfrentar esses desafios. Traz instrumentos de gestão integrada, descentralizada e participativa, modernos e adequados para implementação nas diversas regiões e bacias hidrográficas do país, respeitando as diferentes realidades socioeconômicas, culturais e ambientais, para enfrentamento dos desafios que a governança dos recursos hídricos e o clima impõe. A Política Nacional de Recursos Hídricos estabelece em seus princípios que a água é um bem de domínio público, recurso natural limitado, dotado de valor econômico que demanda gestão descentralizada, com a participação do Poder Público – da União, dos Estados e dos Municípios, dos usuários e da sociedade, por meio do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. O principal objetivo do Sistema Nacional de Recursos Hídricos é proporcionar, sempre, o uso múltiplo das águas e em caso de situações de escassez garantir o uso prioritário dos recursos hídricos para o consumo humano e a dessedentação de animais. A bacia hidrográfica é unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos que tem nos Comitês de Bacias Hidrográficas a base desse inovador Sistema. Em que pese a necessidade e a reconhecida importância, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) não está implementado integralmente em todo território brasileiro e falta empenho político para que os instrumentos de gestão como os planos de bacias, a outorga, o enquadramento dos corpos d’água, o sistema de informação e a cobrança pelo uso da água funcionem plenamente. Certos de que o fortalecimento da Política Nacional de Recursos Hídricos e a implementação do Sistema Nacional e dos seus instrumentos de gestão são essenciais e estratégicos para enfrentamento dos desafios relacionados à segurança hídrica e governança da água, os representantes dos 233 Comitês de Bacias Hidrográficas reunidos neste XX Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB), em Florianópolis, Santa Catarina, chamam atenção da sociedade e dos candidatos à eleição para a necessidade de incluírem a água nas plataformas de campanha, programas de governo e mandatos eletivos. Conclamamos todos para o compromisso de fortalecer e implementar plenamente o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, garantindo o descontingenciamento de recursos destinados às bacias hidrográficas e à gestão integrada descentralizada e participativa representada pelos setores públicos, privado e sociedade civil. Reiteramos que em março deste ano, em Brasília-DF, líderes de 172 países assinaram a Declaração Ministerial do 8º Fórum Mundial da Água, intitulada “Chamamento urgente para uma ação decisiva sobre a água”, reconhecendo que as nações precisam tomar medidas urgentes para promover o acesso à água e ao saneamento, com um apelo para que haja mais empenho político para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Nesta “Carta da Água” reforçamos a necessidade dos governos federal e dos estados garantirem o funcionamento pleno do Sistema de Recursos Hídricos, integrando estratégias de adaptação à mudança do clima, com as estratégias de gestão e melhoria das bacias hidrográficas cujo objetivo é ampliar a segurança hídrica. Segurança hídrica que pode ser desfrutada pela sociedade, pelas cidades, pelas áreas rurais, para a resiliência climática e para a manutenção e ampliação das atividades produtivas. Por último, reforçamos que é fundamental que a Água e sua gestão estejam integradas na Agenda Estratégica de Desenvolvimento do Brasil. Tendo água em quantidade e qualidade é possível garantir sustentabilidade para o desenvolvimento econômico, social e ambiental. *A Carta da Água foi elaborada inicialmente no âmbito do Observatório da Governança das Águas e depois foi apresentada na plenária dos Comitês de Bacias no XX Encob realizado em Florianópolis de 20 a 24 de agosto de 2018. A Carta foi aprovada como Moção e ela tem o objetivo principal de chamar atenção da Nação Brasileira e não somente dos candidatos da existência do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Brasil onde atualmente já existem 233 Comitês de Bacias Hidrográficas e ainda a maior parte da sociedade desconhece o Sistema e consequentemente a história e o papel dos Comitês. A Carta da Água não tem a pretensão de abordar todos os aspectos relacionados com a gestão da água.