As empresas de saneamento têm uma grande responsabilidade na ajuda do controle da pandemia desencadeada pelo vírus SARS-CoV-2. Instruções a respeito da higiene das mãos com água e sabão é uma das principais ações no comate à disseminação do vírus e é através das empresas de saneamento que a água chega nas residências de milhares de brasileiros. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 30 de janeiro de 2020, o mais alto nível de alerta quanto ao surto da COVID-19, reconhecendo assim a emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em 11 de março de 2020, devido à rápida proliferação da infecção, foi decretada estado de pandemia. O objetivo deste estudo é identificar quais as primeiras ações que as empresas de saneamento estão tomando com relação à COVID-19 na vida das pessoas (comunidade atendida), tendo em vista que uma interrupção dos serviços prestados pode afetar diretamente as orientações da OMS com relação à higiene, tais como lavar as mãos constantemente e manter os locais limpos. Este é um período de grande incerteza, e para as empresas de saneamento não é diferente, tendo em vista a atividade deste setor estar totalmente relacionada com a qualidade de vida e a saúde pública, é necessário conhecer o que essas empresas podem fazer e o que estão fazendo para auxiliar no controle da disseminação da COVID-19. No Brasil, o impacto desta pandemia já está sendo sentido por milhões de brasileiros, que viram sua rotina diária afetada pelas mais diversas variáveis, desde perda de emprego, distanciamento social, suspensão das atividades empresariais, de educação e até perda de entes queridos em decorrência da doença. Dados oficiais do governo, atualizados até 11 de junho de 2020, constantes no site Painel CORONAVÍRUS, mostra que o Brasil atingiu 40.919 óbitos e 802.828 casos confirmados de infecções pelo vírus, sendo que, até o momento, esses números continuam em constante crescimento. Em nota, o Instituto Trata Brasil apresenta que o Brasil tem 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável e que 100 milhões de pessoas vivem em localidades sem acesso à coleta dos esgotos. O saneamento básico é vital para uma boa saúde e para a manutenção do meio ambiente e, sua falta pode comprometer a saúde de boa parte da população, principalmente as de baixa renda. Essas pessoas que não possuem o recurso básico para a higienização correta recomendada pelas autoridades de saúde são também mais vulneráveis em relação a outras doenças, tais como diarreia, leptospirose, dengue, malária, esquistossomose, entre outras, que também comprometem o sistema imunológico. Dados da Datasus do Ministério da Saúde mostra que o Brasil teve, em 2018, o total de 233 mil internações de doenças relacionadas com veiculação hídrica. No último levantamento realizados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 24º Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos de dezembro de 2019, referente ao ano de 2018, que consolida as informações referente aos serviços de água e esgoto dos municípios brasileiros, aponta que, na média, o Brasil possui 83,6% da população com atendimento total com rede de abastecimento de água e que apenas 46,3% dos esgotos gerados são tratados. Em matéria publicada em 02 de junho de 2020, o jornal Valor Economico apresentou a relação entre as mortes pela COVID-19 e o esgoto tratado. A matéria tem como base um estudo que está em andamento da Secretaria de Política Econômica (SPE), que faz parte do Ministério da Economia, com informações do Instituto Trata Brasil e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo aponta que, nas cidades onde há menos de 40% de tratamento de esgoto, o índice de mortes por 100 mil habitantes é em média de 14,45%; para as cidades que possuem de 40% a 70% de tratamento de esgoto, este índice baixa para 12,75% e, para as cidade com mais de 70% de tratamento de esgoto, o índice cai para 3,62. Isso mostra como o tratamento de esgoto também é essencial na saúde da população e pode ajudar no controle do vírus no Brasil o que confirma a importância da universalização do saneamento no país. Em nota sobre a situação de pandemia, “Água e Coronavírus” do Observatório da Governança das Águas (OGA), a falta de acesso ao saneamento que temos no Brasil causa uma vulnerabilidade maior a novas doenças, como as derivadas do vírus COVID-19. Nesta mesma nota são apresentadas três diretrizes que colaboram com o controle da pandemia no setor de água: (i) proibir temporariamente a interrupção do fornecimento de água, mesmo em situações de inadimplência; (ii) garantir a gratuidade da cobrança do serviço para os usuários já na tarifa social; (iii) fornecer alternativas rápidas para levar água limpa às populações que ainda não têm acesso. Para identificar quais as primeiras ações das empresas de sanemaneto com relação à COVID-19, foram selecionadas dez empresas no setor de água e saneamento do Brasil que constam no ranking de classificação final da Revista anual Valor 1000 – Maiores Empresas, edição publicada em agosto de 2019. A intenção deste estudo é identificar quais as primeiras medidas que essas empresas estão tomando com relação à COVID-19 e quais precauções para a não interrupção de seus serviços prestados para a população e fazer uma breve comparação com as diretrizes da OGA e também com as orientações gerais dos órgãos de saúde. As empresas pesquisadas foram: Sabesp, SAAB, Sanepar, Cedae, Aegea Saneamento, Corsan, Sanasa, Copasa MG, Sanesul e Cesan. As informações foram pesquisadas nos endereços eletrônicos oficiais das empresas, entre os dias 27 e 28 de maio de 2020, sendo informações públicas divulgadas pela própria empresa. Algumas informações foram coletadas das demonstrações financeiras e notas explicativas do ano de 2019 e referente ao primeiro trimestre de 2020. Das dez empresas pesquisadas, todas têm à disposição de seus consumidores serviços de atentimento por telefone ou serviços por aplicativo ou digitais, sendo que três informaram realizaram a suspensão de atendimentos presenciais por determinado período. Os atendimentos digitais ou por telefone colaboram com a orientação dos órgãos de saúde para que as pessoas evitem sair